Prática do Amor · Estudo bíblico
3 João — A verdade que acolhe e o poder que exclui
Gaio, Diótrefes e Demétrio: hospitalidade, discernimento e liderança à luz do amor que coopera com a verdade.
Passagem bíblica
3 João 1–15 · NVI — transcrição fornecida pelo usuário
1 O presbítero, Ao amado Gaio, a quem amo na verdade. 2 Amado, oro para que tudo vá bem com você e para que esteja tão saudável fisicamente como é espiritualmente. 3 Muito me alegrei ao receber a visita de alguns irmãos que testemunharam da sua fidelidade, de como você continua vivendo na verdade. 4 Não tenho alegria maior do que ouvir que os meus filhos vivem na verdade. 5 Amado, você é fiel no que está fazendo pelos irmãos, apesar de não conhecê-los. 6 Eles testemunharam à igreja a respeito desse seu amor. Você fará bem se ajudá-los na viagem deles de modo que honre a Deus, 7 pois foi por causa do Nome que eles saíram, sem receber ajuda alguma dos gentios.* 8 Portanto, devemos acolher irmãos como estes com hospitalidade, para que nos tornemos cooperadores da verdade. 9 Escrevi algumas palavras à igreja, mas Diótrefes, que gosta muito de ser o primeiro entre eles, não nos recebe. 10 Quanto a isso, se eu aí for, chamarei a atenção dele para o que ele tem feito, depreciando-nos com palavras maldosas. Não satisfeito com isso, ele se recusa a receber os irmãos e impede os que desejam recebê-los, expulsando-os da igreja. 11 Amado, não imite o que é mau, mas sim o que é bom. Aquele que faz o bem é de Deus; aquele, porém, que faz o mal não viu a Deus. 12 Quanto a Demétrio, todos testemunham bem dele, e a própria verdade testemunha a seu favor. Nós também testemunhamos, e você sabe que o nosso testemunho é verdadeiro. 13 Tenho muito a escrever a você, mas não desejo fazê-lo com tinta e pena. 14 Em vez disso, espero visitá-lo em breve, e então conversaremos face a face. 15 A paz seja com você. Os amigos daqui enviam saudações. Saúde os amigos daí, um por um, nome por nome.
O centro da carta
Em 3 João, viver na verdade torna-se visível no modo de tratar pessoas. Gaio acolhe e ajuda irmãos que não conhecia; Diótrefes impede esse acolhimento e pune quem o pratica; Demétrio aparece como pessoa recomendada. O contraste não é entre conhecer doutrina e dispensá-la, mas entre uma fidelidade que serve e uma pretensão de liderança que bloqueia o serviço.[T]
A pergunta que atravessa o estudo é concreta: minha influência facilita o bem ou obriga os outros a dependerem da minha aprovação? A aplicação vem depois da observação: a carta não condena toda autoridade, toda recusa ou toda disciplina; condena as ações descritas nos versículos 9–10.[T]
Contexto e mapa da leitura
O remetente se identifica como “o presbítero”, não pelo nome próprio. O destinatário é Gaio, chamado de amado. O título tradicional da carta a associa a João; o corpo, por si só, não resolve a identidade histórica exata do autor. Não há indicação explícita da cidade ou da data. Este estudo não transforma essas lacunas em biografias.[T]
A introdução da NABRE/USCCB situa a carta na relação entre missionários itinerantes e comunidades locais. Apoio material, vínculos pessoais e autoridade comunitária aparecem entrelaçados. É um contexto que ajuda a entender o conflito, sem determinar sozinho o cargo formal de Diótrefes ou a origem de cada viajante.[C]
| Passagem | Movimento da carta | Questão central |
|---|---|---|
| 1–4 | Saudação, oração e alegria | Como reconhecer a fidelidade de Gaio? |
| 5–8 | Elogio e pedido de hospitalidade | Como participar da missão sem viajar? |
| 9–10 | Denúncia da conduta de Diótrefes | Quando a liderança passa a impedir o bem? |
| 11–12 | Exortação e recomendação de Demétrio | Quem merece ser imitado e recebido? |
| 13–15 | Encontro esperado, paz e amigos | Como preservar relações pessoais no conflito? |
A carta é ocasional: responde a uma situação concreta. Não oferece um regulamento completo de governo da igreja nem a versão de todos os envolvidos. Temos o testemunho e a avaliação do presbítero. Reconhecer esse alcance não neutraliza a denúncia; evita afirmar mais do que a fonte permite.[T]
Versículos 1–4 — Amar, desejar o bem e viver na verdade
“A quem amo na verdade” liga afeto e fidelidade. Na sequência, a verdade aparece como algo em que se vive, não apenas como uma proposição que se defende. O testemunho dos irmãos descreve o comportamento de Gaio; o elogio se tornará concreto no acolhimento dos versículos 5–8.[T]
No versículo 2, o presbítero ora pelo bem-estar e pela saúde de uma pessoa que estima. O ato de desejar ou pedir algo não equivale a anunciar que esse resultado está garantido. A boa condição espiritual de Gaio funciona como termo da comparação; não é apresentada como mecanismo que produz automaticamente saúde física ou riqueza.[T]
Duas conclusões excederiam o texto: “todo fiel necessariamente enriquecerá” e “quem adoece está espiritualmente mal”. Nenhuma delas é afirmada. Também não sabemos, por essa saudação, se Gaio estava doente. O pedido expressa cuidado com a pessoa inteira, sem informar um diagnóstico.[T]
“Meus filhos” é linguagem de vínculo e cuidado espiritual. O texto mostra a alegria do remetente com a fidelidade daqueles que considera seus filhos; não permite concluir que tenha convertido pessoalmente cada um. O que o alegra não é a submissão à sua imagem, mas a vida orientada pela verdade.[T]
Versículos 5–8 — Acolher é cooperar
Gaio ajuda irmãos apesar de não os conhecer. Isso ultrapassa a reciprocidade entre amigos: ele se compromete com pessoas cuja familiaridade pessoal não é a base do cuidado. Ao mesmo tempo, não são viajantes sem qualquer contexto: seu serviço, sua motivação e o testemunho a seu respeito aparecem na carta.[T]
O amor de Gaio é reconhecido pela comunidade. Não se reduz a cordialidade verbal, porque o pedido inclui condições para continuar a viagem. A nota da NABRE ao versículo 6 explicita esse apoio ao prosseguimento do percurso. A hospitalidade envolve receber e ajudar a partir.[T][B]
O “Nome” do versículo 7 é entendido, no contexto cristão, como referência a Jesus Cristo, conforme a nota da NABRE. A carta descreve viajantes que não recebiam ajuda dos gentios. Não apresenta uma norma universal sobre toda contribuição vinda de pessoas de fora, nem considera povos não judeus inferiores.[T][B]
A conclusão do versículo 8 é o ponto decisivo: o apoio faz do anfitrião um cooperador da verdade. Há participação real mesmo sem exercer a mesma tarefa do viajante. Preparar uma refeição, oferecer transporte ou custear uma necessidade são aplicações possíveis; não são uma lista de exigências financeiras ditadas pela carta.[T]
Versículos 9–10 — Quando o poder fecha a porta
O presbítero diz que escreveu à igreja e que Diótrefes não os recebe. O texto não identifica essa correspondência anterior; não há base para igualá-la automaticamente a 2 João. Também não chama Diótrefes de bispo ou pastor. Sua capacidade de impedir acolhimentos e expulsar pessoas evidencia influência efetiva, mas não define seu título institucional.[T]
A descrição reúne comportamentos que se reforçam: desejo de primazia, palavras maldosas, recusa de receber os irmãos, impedimento de quem deseja acolhê-los e expulsão da comunidade. O problema é maior do que antipatia pessoal: Diótrefes transforma sua recusa em restrição imposta aos outros.[T]
O próprio texto atribui a ele o gosto por ocupar o primeiro lugar. A introdução da USCCB também registra hipóteses de conflito doutrinário ou defesa da autonomia local. São reconstruções possíveis; a carta não fornece a argumentação de Diótrefes nem identifica uma doutrina que ele teria ensinado. Não é rigoroso apresentar uma heresia específica como fato estabelecido.[T][C]
O presbítero pretende chamar atenção para as ações quando for à comunidade. Sua resposta não é tratar a expulsão e a difamação como preço inevitável da paz. Neste caso, cuidar da comunhão inclui enfrentar comportamentos que a prejudicam. A carta anuncia essa intervenção; não narra a visita nem seu resultado.[T]
Versículos 11–15 — Bons exemplos e pessoas pelo nome
“Não imite o que é mau” impede que o conflito determine o caráter de Gaio. A oposição sofrida não o autoriza a reproduzir difamação, controle ou exclusão. Ele deve escolher o bem como referência, em vez de imitar o comportamento mais poderoso do ambiente.[T]
O contraste entre fazer o bem e fazer o mal é teológico: a conduta revela sua relação com Deus. Não é uma fórmula de compra da salvação por boas obras, tampouco uma licença para declarar o destino eterno de alguém a partir de um ato isolado. No argumento da carta, a prática do mal contradiz a pretensão de conhecer Deus.[T]
Demétrio recebe testemunho favorável da comunidade, da própria verdade e do remetente. A referência à verdade pode ser entendida como a coerência de sua vida com aquilo que professa. A recomendação não se apoia apenas na popularidade. A nota da NABRE sugere que ele talvez tenha levado a carta; isso permanece hipótese, pois o texto não o declara.[T][B]
Nos versículos finais, o autor reconhece que há mais a conversar e espera fazê-lo pessoalmente. Isso não desvaloriza a escrita — a própria carta é uma intervenção escrita —, mas reconhece que ela não esgota a relação. A saudação individual encerra o texto com atenção a pessoas concretas, uma por uma.[T]
Grego: palavras que ajudam a ler
O idioma pertinente é o grego. As formas abaixo foram conferidas no SBL Greek New Testament exibido pelo STEP Bible. As glosas são contextuais; não dependem de decompor palavras para extrair significados ocultos.[G]
| Verso | Forma e transliteração | Contribuição à leitura |
|---|---|---|
| 2 | εὔχομαι — eúchomai | Oro/desejo. Expressa o pedido do remetente, não uma garantia. |
| 2 | εὐοδοῦσθαι — euodoûsthai | Ir bem/prosperar. O contexto não restringe o bem-estar ao enriquecimento. |
| 3 | περιπατεῖς — peripateîs | Andas. A imagem descreve a conduta de Gaio. |
| 6 | προπέμψας — propémpsas | Encaminhando/ajudando a prosseguir. A hospitalidade acompanha a viagem. |
| 8 | συνεργοί — synergoí | Cooperadores. Quem apoia participa do trabalho. |
| 9 | φιλοπρωτεύων — philoprōteúōn | Que gosta de ser primeiro. Caracteriza Diótrefes no conflito. |
| 14 | στόμα πρὸς στόμα — stóma pròs stóma | Literalmente, boca a boca; a tradução “face a face” comunica a conversa presencial. |
Não é necessário traduzir mecanicamente cada imagem para ser fiel ao sentido. Tampouco um verbo grego, isoladamente, fornece a biografia de Gaio ou uma doutrina sobre prosperidade.[G]
A ótica da Torah: amor, justiça e acolhimento
Levítico 19:15–18 reúne justiça no julgamento, rejeição da calúnia, repreensão do próximo e amor. Esse conjunto ajuda a evitar uma falsa escolha entre amar e corrigir. Aplicado como paralelo a 3 João, o cuidado com a comunidade pode requerer denunciar o dano sem recorrer à maledicência. Não há citação explícita de Levítico na carta.[L][T]
Levítico 19:33–34 proíbe maltratar o estrangeiro residente e ordena amá-lo. Deuteronômio 10:17–19 relaciona a imparcialidade de Deus ao cuidado com pessoas vulneráveis e ao amor pelo estrangeiro. A hospitalidade de Gaio apresenta afinidade ética com essa atenção ao outro.[L][D][T]
Os grupos não são idênticos: estrangeiros residentes em Israel e missionários desconhecidos de Gaio ocupam situações diferentes. A conexão é conceitual, não prova de dependência literária. Também não se deve usar o foco missionário de 3 João para restringir todo dever de cuidado apenas aos membros de uma igreja.[D][T]
Tradição judaica e limites da reconstrução histórica
Maimônides, em Mishneh Torah, Leis do Luto 14:1, inclui acompanhar hóspedes entre atos pessoais de bondade e os vincula ao amor ao próximo de Levítico 19:18. Em 14:2, destaca alimentar, dar de beber e acompanhar viajantes. A passagem foi conferida no hebraico e na tradução inglesa de Eliyahu Touger disponibilizados pelo Chabad.[R]
Esse é um paralelo judaico posterior, não um comentário sobre 3 João nem evidência de que Gaio seguisse essa formulação. A aproximação é precisa e limitada: o cuidado inclui ajudar o outro a prosseguir. O enquadramento comunitário da legislação citada também deve ser respeitado, sem transformá-la em resumo de todo o judaísmo.[R]
Para a situação específica da carta, a evidência direta continua sendo o próprio relato: viajantes, apoio material, comunicação escrita e resistência local. Não foi estabelecido aqui testemunho arqueológico que identifique a casa de Gaio, a igreja de Diótrefes ou o itinerário de Demétrio. Esses detalhes foram deixados em aberto.[T]
A chave messiânica: autoridade que serve
3 João não é uma profecia sobre o Messias. Não se identificou, nos textos consultados dos Evangelhos, uma citação de 3 João por Jesus. A conexão cristológica aqui é temática: a conduta recomendada na carta pode ser comparada ao ensino e ao exemplo de Jesus. O “Nome” do versículo 7 pertence ao contexto da missão cristã.[T][B]
Em Marcos 10:35–45, o pedido de lugares de destaque provoca uma instrução sobre grandeza e serviço. Jesus contrapõe o domínio exercido sobre outros ao serviço e apresenta sua própria entrega como referência. Esse paralelo ilumina a diferença entre ocupar o primeiro lugar e usar a influência para beneficiar pessoas; não prova que 3 João esteja citando Marcos.[M]
Em João 13:12–17, Jesus, reconhecido como Mestre e Senhor, interpreta o lava-pés como exemplo a ser praticado. A autoridade não desaparece: assume uma forma concreta de serviço. Na aproximação com Gaio, a fidelidade se torna visível quando o cuidado deixa de ser apenas discurso.[J][T]
Três investigações que mudam a leitura
1. 2 João e 3 João se contradizem?
Em 2 João 7–11, a recusa de acolhimento está ligada a mestres descritos como enganadores e à participação em suas obras. Em 3 João 5–8, o apoio a irmãos reconhecidos faz do anfitrião um cooperador da verdade. As orientações tratam de destinatários e qualificações diferentes. A coerência possível é avaliar com quem e com o que se coopera.[II][T]
Isso não transforma cordialidade humana em adesão automática a um ensino, nem reduz discernimento à preferência do dirigente. A leitura conjunta pede atenção ao conteúdo e à conduta. A hipótese de que Diótrefes estivesse usando preocupações doutrinárias para justificar sua postura é possível, mas não demonstrada.[II][T][C]
2. Recusar acolhimento é sempre errado?
Não. A carta censura uma recusa descrita num contexto específico e pede apoio a “irmãos como estes”. No presente, verificar referências, combinar limites e proteger pessoas vulneráveis pode fazer parte de uma hospitalidade responsável. Essas medidas são aplicações prudenciais; não aparecem como instruções operacionais no texto.[T]
3. Como reconhecer o bem sem confiar apenas em reputação?
O versículo 12 associa testemunho humano e verdade. Uma aplicação é procurar coerência entre recomendação, ensino e comportamento. Isso não cria um método infalível nem dispensa revisão posterior. O contraponto a Diótrefes não é fabricar outro líder intocável, mas aprender a reconhecer e imitar o bem.[T]
O que sabemos e o que permanece aberto
| Camada | Conclusão | Limite |
|---|---|---|
| Texto | Gaio acolhe; Diótrefes impede e expulsa; Demétrio é recomendado. | Temos a avaliação do remetente, não atas completas do conflito. |
| Interpretação | A hospitalidade manifesta fidelidade e participa da missão. | Não autoriza apoio indiscriminado. |
| Hipótese | Demétrio pode ter transportado a carta. | A carta não informa sua função. |
| Hipótese | Pode ter havido disputa doutrinária ou de autonomia. | Não se identifica doutrina específica de Diótrefes. |
| Desconhecido | Cidade, data precisa, cargo de Diótrefes e resultado da visita. | Não preenchidos com reconstruções imaginadas. |
| Aplicação | Servir, verificar, não difamar e não punir quem faz o bem. | Não substitui apuração responsável de conflitos atuais. |
A transcrição NVI fornecida governa a passagem reproduzida. Para o grego foi consultado o SBLGNT; para paralelos, as passagens identificadas nas referências. Os resumos dos Evangelhos são paráfrases em português. A fonte judaica foi usada apenas na seção em que sua localização e seu alcance são explicitados.
Para ler em voz alta
Gaio ajudava pessoas que serviam a Deus, mesmo sem conhecê-las pessoalmente. Diótrefes queria mandar e dificultava essa ajuda. A carta nos chama a escolher bons exemplos: acolher com discernimento, ajudar de verdade e não impedir que os outros façam o bem.
Podemos desejar saúde a alguém sem prometer que nunca ficará doente. Podemos corrigir uma injustiça sem espalhar maldade. E podemos participar de uma boa obra com uma ajuda pequena e concreta. Hoje, vale pensar em uma pessoa e perguntar de que ajuda ela realmente precisa.
Perguntas frequentes
3 João 2 promete prosperidade financeira?
Não. O remetente ora pelo bem-estar e pela saúde de Gaio. A frase é um pedido afetuoso; não estabelece enriquecimento obrigatório, nem uma relação automática entre condição espiritual e condição econômica.
Gaio estava doente?
A carta não informa. A oração por saúde não basta para provar doença, assim como não prova que ele estivesse plenamente saudável.
Gaio é o mesmo personagem citado em outras partes do Novo Testamento?
Não é possível estabelecer isso apenas com esta carta. Ela não fornece os dados necessários para identificar com segurança um homônimo.
Diótrefes era pastor ou bispo?
Seu título formal não aparece. O texto mostra influência suficiente para impedir acolhimentos e expulsar pessoas, mas não define seu cargo.
Diótrefes ensinava uma heresia específica?
Não é dito. O autor denuncia sua ambição e suas ações. Reconstruções sobre desacordos doutrinários devem permanecer hipóteses.
Demétrio levou a carta?
É uma possibilidade apontada na nota da NABRE a 3 João 12, não uma informação expressa pelo texto. O dado seguro é a recomendação favorável.
Fazer o bem significa comprar a salvação?
Essa não é a formulação do versículo 11. O autor relaciona a conduta ao vínculo com Deus; não oferece uma contabilidade de méritos. O contexto pede coerência entre fé professada e comportamento.
Hospitalidade exige abrir a casa a qualquer pessoa?
Não. 3 João pede apoio a irmãos qualificados pelo contexto. Formas de ajuda, limites e verificações devem considerar a situação real. Não há obrigação de ignorar riscos ou aceitar coerção.
Como enfrentar uma atitude parecida com a de Diótrefes?
Como aplicação: descreva ações verificáveis, evite rótulos e boatos, busque avaliação responsável e proteja quem está sendo prejudicado. A carta legitima trazer o comportamento à atenção; não prescreve um único procedimento para todo conflito atual.
Ortopraxia — o amor em prática
- Pergunte a alguém que serve outras pessoas qual necessidade concreta dificulta seu trabalho; escolha uma ajuda possível e combine como realizá-la. (3 João 5–8)
- Antes de apoiar uma iniciativa, confira finalidade, referências e conduta; não entregue recursos apenas por pressão ou prestígio religioso. (3 João 7–8,12 — aplicação)
- Reconheça uma atitude boa de alguém sem tentar se tornar o centro da história. (3 João 3–6,12 — aplicação)
- Não repasse uma acusação sem apuração. Se houve dano, descreva fatos e busque uma forma responsável de enfrentá-lo. (3 João 9–10 — aplicação)
- Examine se você está dificultando uma boa ação apenas por não ter sido consultado ou por não receber destaque. (3 João 9–11 — aplicação)
- Cumprimente e escute uma pessoa pelo nome, com atenção à sua situação particular. (3 João 15 — aplicação)
Oração
Deus, ensina-nos a viver a verdade com amor. Dá-nos disposição para acolher, discernimento para apoiar o que é bom e humildade para servir sem disputar o primeiro lugar. Livra-nos da maledicência e da vontade de controlar o bem que outros fazem. Ajuda-nos a enfrentar a injustiça sem reproduzi-la. Cuida de nossa saúde e de nossas necessidades, e faz de nossa vida uma ajuda concreta para alguém. Em nome de Jesus, amém.
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- VERDADE: Uma fé que acolhe — A verdade aparece no modo de tratar pessoas. Gaio a torna visível em hospitalidade. (3 João 3–6)
- CUIDADO: Desejar o bem sem prometer tudo — Ore pela saúde de quem você ama. Não transforme uma oração em garantia de riqueza ou imunidade ao sofrimento. (3 João 2)
- HOSPITALIDADE: Além do círculo dos conhecidos — Gaio ajuda irmãos que ainda não conhece. O cuidado não depende apenas de amizade anterior. (3 João 5)
- COOPERAÇÃO: Quem apoia também participa — Uma ajuda concreta pode sustentar o trabalho de quem serve. Cooperar também é uma forma de agir. (3 João 6–8)
- PODER: Quando o destaque fecha portas — Diótrefes não apenas recusa ajuda: impede outros de acolher. A influência se transforma em obstáculo. (3 João 9–10)
- CORAGEM: Enfrente o dano sem imitá-lo — A resposta ao abuso não precisa reproduzir maledicência ou controle. Descreva o que ocorreu e escolha o bem. (3 João 10–11)
- EXEMPLO: Observe a vida além do discurso — Demétrio é recomendado. Procure coerência entre o testemunho das pessoas e a conduta de quem merece confiança. (3 João 12)
- ENCONTRO: A conversa continua — Uma mensagem pode orientar; uma relação precisa de atenção. O presbítero espera conversar pessoalmente. (3 João 13–14)
- AMIZADE: Pessoas pelo nome — A carta termina com paz e atenção individual. Ninguém precisa ser reduzido a um número no grupo. (3 João 15)
- HOJE: Escolha uma ajuda possível — Verifique uma necessidade, combine sua contribuição e cumpra o combinado. Faça o bem sem exigir o primeiro lugar. (3 João 5–8)
Drops de amor prático
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- CUIDADO — Pergunte como alguém está e escute a resposta antes de oferecer conselhos. (3 João 2 — aplicação)
- ACOLHIMENTO — Ajude alguém além do seu círculo habitual, com discernimento sobre sua necessidade e seu trabalho. (3 João 5–8 — aplicação)
- APOIO — Ofereça uma ajuda concreta que permita a alguém continuar servindo: tempo, transporte ou uma refeição. (3 João 6–8 — aplicação)
- HUMILDADE — Facilite uma boa iniciativa mesmo quando outra pessoa receber o reconhecimento. (3 João 9–11 — aplicação)
- VERDADE — Interrompa a circulação de uma acusação que você não verificou; busque fatos antes de repassá-la. (3 João 10 — aplicação)
- EXEMPLO — Agradeça a alguém cuja bondade aparece em ações, mencionando um exemplo concreto. (3 João 11–12 — aplicação)
- ATENÇÃO — Procure uma pessoa pelo nome e ofereça presença, sem transformar a conversa em disputa por atenção. (3 João 14–15 — aplicação)
Post-its para lembrar
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- Ajude o bem a continuar. (3 João 6–8)
- Ore pela saúde; não culpe quem sofre. (3 João 2 — aplicação)
- Acolha com amor e discernimento. (3 João 5–8 — aplicação)
- Não impeça o bem por falta de protagonismo. (3 João 9–11 — aplicação)
- Não transforme boatos em arma. (3 João 10 — aplicação)
- Imite a bondade que você consegue reconhecer em ações. (3 João 11–12 — aplicação)
- Trate cada pessoa pelo nome. (3 João 15 — aplicação)
Protocolo de prática
- Identidade: Posso cooperar com a verdade apoiando quem a serve com fidelidade. (3 João 5–8 — aplicação)
- Oração: Peço humildade para servir e discernimento para reconhecer o bem. (3 João 9–12 — aplicação)
- Prática: Hoje, verificarei uma necessidade concreta e combinarei uma ajuda possível, sem exigir destaque. (3 João 5–8 — aplicação)
Mais acolhimento. Mais discernimento. Mais amor em prática.
Fontes e referências
- 3 João — NVI, texto integral fornecido pelo usuário · 3 João 1–15 — Consultar fonte
- SBL Greek New Testament, consultado no STEP Bible · 3 João 1–15 — Consultar fonte
- USCCB — Introdução à Terceira Carta de João, NABRE · Introdução, parágrafos sobre missão, autoridade e conflito — Consultar fonte
- USCCB — 3 John, NABRE, texto e notas · 3 João 5–12; notas aos vv. 6, 7, 9 e 12 — Consultar fonte
- Levítico 19 — NABRE, USCCB · Levítico 19:15–18,33–34 — Consultar fonte
- Deuteronômio 10 — NABRE, USCCB · Deuteronômio 10:17–19 — Consultar fonte
- Maimônides — Mishneh Torah, Hilkhot Avel; tradução de Eliyahu Touger, Moznaim/Chabad · Leis do Luto 14:1–2 — Consultar fonte
- Marcos 10:35–45 — NIV, Bible Gateway · Pedido de posições e resposta de Jesus, especialmente vv. 42–45 — Consultar fonte
- João 13:12–17 — NIV, Bible Gateway · O exemplo do lava-pés — Consultar fonte
- 2 João — Nova Versão Internacional, Bible Gateway · 2 João 7–11 — Consultar fonte